Em um mundo onde as motos rugem e os pilotos competem em circuitos lendários, a Trackhouse se destaca como um novo ator determinado a deixar sua marca. Dois anos após sua chegada tumultuada ao MotoGP, essa equipe americana, herdeira dos ativos da RNF, pretende conquistar seu espaço ao sol enquanto cultiva sua identidade yankee.
Uma partida explosiva
Há dois anos, foi em um contexto de pressa que a Trackhouse fez sua entrada no MotoGP. De fato, a equipe, já envolvida na NASCAR, assumiu o lugar da RNF, uma estrutura excluída do campeonato. Essa transição foi tudo, menos simples, deixando pouco espaço para a promoção de sua cultura única. No entanto, seu objetivo é claro: subir os degraus para se tornar um ator indispensável do campeonato.
Davide Brivio, o diretor da Trackhouse, compartilha essa visão. Em uma entrevista concedida à Motorsport.com, ele declara: “Quando cheguei, a equipe estava apenas no começo, mesmo que seja baseada no que era a antiga equipe”. O desafio, portanto, é estabelecer uma verdadeira cultura Trackhouse, impregnada de uma mentalidade de vencedores. “E nós somos uma equipe americana.”
Uma cultura a desenvolver
O desafio é duplo para a Trackhouse: fazer um nome no MotoGP enquanto afirma sua identidade americana. “Queremos fazer cada vez mais para sermos identificados como uma equipe americana,” confia Brivio. A equipe se dedica a aprender os meandros do MotoGP enquanto integra sua própria estratégia. É um trabalho de longo prazo.

Raúl Fernández venceu o GP da Austrália, marcando um momento chave na história da Trackhouse. Esse sucesso, recebido com alívio, ilustra as ambições da equipe que já brilhou na NASCAR nesta temporada. “Foi muito especial porque é apenas o segundo ano da Trackhouse no MotoGP,” lembra Brivio. O diretor da equipe menciona a pressão sentida, especialmente devido às seis vitórias de seus colegas da NASCAR este ano. “Não podíamos ganhar seis corridas, mas pelo menos uma.”
Essa vitória na Austrália não é apenas uma simples recompensa; ela representa uma virada para a equipe. “Foi muito importante,” insiste Brivio, ressaltando o orgulho de ter conseguido conciliar sucesso na NASCAR e no MotoGP. No ano seguinte, a Trackhouse deseja continuar nesse ritmo com pilotos promissores como Raúl Fernández e Ai Ogura.
Uma relação muito forte com a Aprilia
Para alcançar seus objetivos ambiciosos, a Trackhouse pode contar com sua sólida parceria com a Aprilia. O fabricante italiano rapidamente reforçou seu apoio técnico e logístico, permitindo que a equipe tivesse acesso às motos mais recentes. “Estamos trabalhando com a Aprilia e estamos bastante felizes com a relação,” confia Brivio.

Essa parceria se traduziu em acesso direto ao material da fábrica, o que representa uma grande vantagem para a Trackhouse. “Em 2025, tivemos exatamente o mesmo material que a equipe de fábrica,” precisa Brivio. Embora algumas evoluções tenham demorado, a equipe agora possui um equipamento idêntico ao de seus concorrentes diretos.
Os laços entre a Trackhouse e a Aprilia não se limitam a uma simples troca de material. “Temos engenheiros da Aprilia que trabalham na nossa garagem,” explica Brivio. Esses engenheiros estão presentes durante as corridas e colaboram de perto com a equipe. “Temos reuniões juntos, nossos engenheiros têm reuniões todos os dias, e trabalhamos bem.”
Atraindo talentos
Esse ambiente dinâmico é essencial para a Trackhouse. “Ter material de fábrica permite que a equipe seja competitiva,” destaca Brivio. Mas além da performance na pista, isso desempenha um papel crucial na atração de novos pilotos e pessoal. “Quando você tem uma equipe que evolui em um certo nível, as pessoas querem fazer parte disso,” acrescenta.
O fato de ter um material idêntico ao da Aprilia também é uma vantagem para recrutar talentos. “Isso pode ser uma boa motivação para nossos pilotos atuais e nossa equipe atual para continuar se esforçando,” conclui Brivio. O futuro parece promissor para a Trackhouse, que parece decidida a se estabelecer como uma concorrente séria no mundo do MotoGP.
