Na era em que os SUVs dominam as estradas, o Ford Country Squire representa um vestígio de uma época em que as peruas reinavam absolutas. Este modelo emblemático, que conseguiu capturar o coração das famílias americanas, hoje suscita uma mistura de nostalgia e desilusão. Vamos descobrir juntos como este grande navio da estrada perdeu seu esplendor.
Uma história familiar
O Ford Country Squire sempre foi mais do que um simples veículo; era uma promessa de aventura em família. Lembro-me ainda daquela noite de dezembro de 1965, quando meu pai estacionou um modelo 1966 em nossa entrada, a neve brilhando sob as luzes de Natal. Esse momento gravou em minha memória a imagem dessa perua, pintada na cor que se tornou emblemática do Country Squire: o branco, acentuado por uma imitação de madeira que lhe conferia uma aparência ao mesmo tempo clássica e acolhedora.
Um design emblemático, mas em perda de velocidade
Com o tempo, o charme do Country Squire se esmoreceu. Embora eu sempre tenha tido uma queda por essa combinação de pintura branca e imitação de madeira, é preciso admitir que ela perdeu seu brilho. A partir de 1979, com a chegada da última geração, senti uma certa decepção diante da redução do tamanho do Ford LTD. Certamente, a perua ainda fazia parte da linha, mas os tempos estavam mudando, e estava se tornando difícil competir com modelos como a Chevrolet, que já se impunha como uma referência no segmento.
Um motor que faz seu tempo
Ao longo dos anos, o motor 5.0 a gasolina da Ford ganhou em confiabilidade e prazer ao dirigir. No entanto, diante do aumento dos monovolumes e SUVs, o Country Squire parecia condenado a perder seu apelo. Em 1991, enquanto os concessionários ofereciam descontos nessas peruas, soube que era minha última chance de adquirir um novo Country Squire. Infelizmente, minha situação pessoal não me permitia justificar essa despesa, o que permanece um arrependimento hoje.
Memórias que se esvanecem
Em 2012, tentei capturar a essência desse modelo fotografando um exemplar em circulação. Sonhava com um último modelo, o de 1991, com seu novo painel e motor 5.0 V8. Mas mesmo essa busca por nostalgia não foi suficiente para reacender a chama. Percebi que esse veículo, outrora cobiçado, não despertava mais em mim do que um sentimento de indiferença.
Um amor que se apaga
É estranho notar que um carro que tanto me fez sonhar não me provoca mais nenhuma emoção hoje. Essa transformação do desejo em indiferença é reveladora das mudanças nas minhas necessidades automotivas e talvez até de uma forma de cansaço. Ao percorrer minha coleção virtual, percebi que o Country Squire não atendia mais a nenhum dos critérios que me fazem vibrar em termos de condução.
Uma última homenagem
Enquanto tantos outros modelos ainda suscitam excitação, o Ford Country Squire se encontra em um canto sombrio das minhas memórias, uma espécie de “passar para outra coisa” quase melancólica. É uma despedida de uma época em que as peruas eram rainhas e onde cada curva prometia uma aventura. A você, querido Country Squire, digo adeus com uma ponta de tristeza, mas também com a certeza de que todos precisamos evoluir.
(Publicado inicialmente em 29 de setembro de 2025)
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