Os autovelox, considerados ferramentas salvadoras para a segurança viária, podem não ter o impacto esperado na mortalidade nas estradas. Um relatório do Cerema revela números que questionam e reacendem o debate sobre sua real eficácia, levantando dúvidas sobre os verdadeiros interesses por trás dessa política de segurança viária.

Números que questionam
O relatório do Centro de Estudos e Especialistas em Riscos, Meio Ambiente, Mobilidade e Urbanismo (Cerema), consultado pela Liga de Defesa dos Condutores, destaca uma realidade inquietante: os autovelox automáticos teriam contribuído apenas com 1-2% da diminuição anual da mortalidade em nossas estradas entre 2017 e 2023. Essas vias, que representam quase 60% dos óbitos nas estradas, parecem, portanto, menos seguras do que se afirma. Em termos claros, os números colocam em dúvida a eficácia desses dispositivos, frequentemente apresentados como imprescindíveis para garantir a segurança dos usuários.

Um discurso oficial a ser revisado
A comunicação em torno dos autovelox sempre foi permeada por um otimismo excessivo. As autoridades afirmam que esses dispositivos são essenciais para reduzir comportamentos de risco. No entanto, o relatório do Cerema parece contradizer essa retórica. Os números indicam que a diminuição dos acidentes fatais é fruto de uma combinação de ações, das quais os autovelox são apenas um elemento secundário. Essa constatação levanta uma pergunta legítima: fomos enganados por um discurso oficial que valoriza soluções fáceis em detrimento de políticas mais globais e eficazes?

Uma fonte de lucro subjacente
A Liga de Defesa dos Condutores também destaca o custo dessa política. Os autovelox geram quase 300 milhões de euros por ano, uma quantia que alimenta um verdadeiro negócio em torno da segurança viária. Esse valor levanta questões sobre a utilização desses fundos. Eles são realmente investidos em medidas eficazes para reduzir a mortalidade nas estradas, ou servem principalmente para manter um sistema lucrativo para as empresas envolvidas na produção e manutenção desses dispositivos? O verdadeiro tema é o risco de ver a segurança viária se tornar um interesse econômico em detrimento da eficácia real.
As verdadeiras causas da mortalidade nas estradas
É essencial recontextualizar a luta contra a mortalidade nas estradas. Políticas implementadas desde os anos 70 permitiram uma diminuição significativa no número de acidentes. Essas medidas incluem não apenas a melhoria das infraestruturas viárias e dos veículos, mas também uma educação direcionada sobre comportamentos perigosos. Os autovelox, ao se concentrarem na velocidade, parecem negligenciar outros fatores de risco, como o consumo de álcool ao dirigir, a distração ou a falta de formação dos condutores. A pergunta é se não estamos perdendo de vista o essencial ao focar apenas na velocidade.
Uma abordagem contraproducente?
No que diz respeito à segurança viária, a proliferação de autovelox urbanos pode se revelar contraproducente. De fato, forçar os condutores a monitorar seu velocímetro em vez de seu ambiente imediato (pedestres, ciclistas, etc.) pode aumentar os riscos de acidentes. A Liga de Defesa dos Condutores ressalta que essa abordagem pode prejudicar a segurança dos usuários vulneráveis. Em termos claros, seria mais sábio adotar uma estratégia que privilegie a prevenção e a educação em vez da repressão. Isso exigiria uma mudança radical na forma como concebemos a segurança viária.
Um futuro incerto para os autovelox
Se os autovelox continuam a se multiplicar em nossas cidades, sua real eficácia permanece a ser demonstrada. O relatório do Cerema indica uma estagnação, se não um aumento da mortalidade nas estradas nos últimos anos, apesar do aumento das fiscalizações de velocidade. Nesse contexto, o futuro dos autovelox pode estar em questão. Se a tendência continuar, as autoridades serão forçadas a revisar sua estratégia para se concentrar em medidas mais globais e pertinentes?
Em resumo
- Os autovelox contribuem marginalmente para a diminuição da mortalidade nas estradas.
- Um custo elevado levanta questões sobre sua real eficácia.
- A segurança viária necessita de uma abordagem global, não apenas centrada na velocidade.
- A proliferação dos autovelox pode prejudicar a segurança dos usuários vulneráveis.
- O futuro dos autovelox dependerá de sua capacidade de demonstrar sua eficácia frente às outras causas de acidentes.
Em conclusão, essa situação requer uma reflexão profunda sobre os verdadeiros temas da segurança viária. Para quem essa política é realmente benéfica? As alternativas existem e precisam ser exploradas. A verdadeira pergunta é se estaremos prontos para mudar nossa abordagem para destacar uma segurança viária verdadeiramente eficaz e não apenas lucrativa.


