Um SUV que ninguém quer?
O Citroën Aircross 2026 chegou com a promessa de ser o SUV família definitivo para o brasileiro: estilo moderno, motor turbo, opção de sete lugares e, claro, o prestígio de uma marca francesa. A realidade, porém, é bem diferente. Com vendas que fazem até carros de luxo parecerem best-sellers, a marca francesa aposta em um desconto agressivo de R$ 25 mil para tentar salvar a lavoura.
Será que essa barganha é suficiente para convencer o consumidor a esquecer as deficiências e abraçar um carro que, convenhamos, não decolou? Vamos mergulhar fundo nessa oferta para descobrir se vale a pena.
- Preço promocional: R$ 128.790 (versão Shine 7L Turbo 200 AT 2026/2026)
- Desconto: R$ 25.700 sobre a tabela
- Motorização: 1.0 turbo T200 flex (130 cv com etanol)
- Câmbio: Automático CVT com simulação de 7 marchas
- Capacidade: 5 ou 7 lugares
O Aircross 2026: Um C3 esticado com pretensões de SUV
Para entender o Aircross, é preciso olhar para o C3. Sim, o SUV compacto da Citroën é, essencialmente, uma versão maior e com mais “roupagem” de carro aventureiro do hatch que já conhecemos. A plataforma CMP, a mesma do C3 e que futuramente servirá de base para um novo Fiat, é o ponto de partida. Isso significa que, apesar do visual de SUV, a essência é de um carro urbano com ambições maiores.
Sob o capô, o Aircross 2026 carrega o conhecido motor 1.0 turbo T200 flex da Stellantis. São 130 cv de potência com etanol (125 cv com gasolina) e um torque de 20,4 kgfm. Não espere milagres, mas para o uso urbano e rodoviário moderado, ele cumpre seu papel. A única opção de câmbio é o automático CVT, que simula sete marchas e, para a tristeza dos mais puristas, entrega a força apenas para as rodas dianteiras. Nada de tração integral aqui, nem mesmo como opcional.
O grande trunfo do Aircross, pelo menos em teoria, é o espaço. Com 4,32 metros de comprimento, ele é maior que seus “irmãos” Fiat Pulse e Peugeot 2008. E, claro, a promessa de levar até sete passageiros, um feito raro no segmento. O entre-eixos generoso de 2,67 metros contribui para isso. O porta-malas, no entanto, é um capítulo à parte: 493 litros com cinco lugares, mas que despencam para meros 42 litros com a terceira fileira em uso. Ou seja, ou você leva passageiros ou leva bagagem.
Onde a Stellantis economizou (e muito)
É aqui que o Aircross mostra sua verdadeira face de “custo-benefício” forçado. A Stellantis, em sua busca incessante por otimizar custos, deixou de fora uma série de equipamentos que já são comuns até em carros mais baratos. Esqueça os assistentes de condução avançados: piloto automático adaptativo, frenagem de emergência, alerta de ponto cego, assistente de permanência em faixa… nada disso está presente. É como voltar no tempo.
Na segurança, a lista também é decepcionante. Apenas quatro airbags (um a menos que o C3, pasmem!) e freios a disco apenas nas rodas dianteiras. Para um SUV que se propõe a levar a família, a sensação é de que a economia falou mais alto que a proteção.
O acabamento interno reforça essa impressão. Apesar de uma faixa central em couro no painel, o restante é dominado por plástico duro. As texturas são básicas e a qualidade geral não inspira luxo. Até o cofre do motor parece ter sido esquecido na pintura, exibindo apenas o primer. E aquele respiro de ar no teto para os bancos traseiros? É apenas um duto de ventilação sem refrigeração. Um mero enfeite.
O que vem de série (e o que não vem)
Pelo menos a lista de equipamentos de série não é um deserto completo. O Aircross Shine 7L Turbo 200 AT 2026/2026 traz ar-condicionado automático e digital, piloto automático (o simples, claro), retrovisor elétrico, faróis de neblina, rodas de liga leve aro 17″ diamantadas, bancos e volante revestidos em couro sintético e uma central multimídia de 10 polegadas com comandos no volante. É o mínimo esperado para um carro nessa faixa de preço, mesmo com desconto.
A promoção: um tiro no pé ou um convite irrecusável?
A oferta de R$ 128.790, um corte de R$ 25.700 na tabela de R$ 154.490, é tentadora. Mas, como em todo bom conto de fadas automotivo, há um dragão à espreita: as condições para obter o desconto























