Fernando Alonso, veterano da Fórmula 1, não hesita em fazer ouvir a sua voz sobre a evolução da disciplina. Entre uma nostalgia pelas monolugares de outrora e os desafios tecnológicos atuais, o Espanhol evoca uma realidade de pilotagem tornada mais complexa e, segundo ele, menos excitante.

Uma nova geração na grelha

Se a grelha de Fórmula 1 rejuvenece progressivamente, com oito dos 22 pilotos atuais com menos de 25 anos, vários concorrentes, como Valtteri Bottas, Sergio Pérez, Nico Hülkenberg, e sobretudo Lewis Hamilton e Fernando Alonso, fazem figura de verdadeiros veteranos da disciplina. As suas experiências preciosas contrastam com as ambições das jovens promessas que se lançam sobre o asfalto.

Hoje, estes pilotos preparam-se para viver uma nova era na F1. A mudança promete ser um pouco mais brutal do que o previsto. Mesmo que o chassis e o motor não tenham sido totalmente renovados, a introdução de uma parte mais importante de eletricidade na unidade de potência e a sua gestão durante as corridas e qualificações representam um desafio maior para a temporada de 2026.

A complexidade da pilotagem moderna

Interrogado sobre esta nova maneira de pilotar, que exige competências acrescidas em gestão da bateria e de aerodinâmica ativa, Fernando Alonso não esconde a sua preocupação. Ele expressa um certo arrependimento face a uma utilização da energia que considera demasiado “regulada”.

“Acho que é um pouco mais complexo, portanto isso exige um pouco de reflexão antes de entrar no carro ou de preparar uma ultrapassagem, por exemplo,” declarou o bicampeão do mundo durante o lançamento da livraria 2026 da Aston Martin. “Mas ao mesmo tempo, as equipas estão agora muito bem preparadas, tudo é simulado à priori. Temos já essas informações desde quinta-feira, portanto no domingo, acho que não há muitas surpresas nem muitos erros possíveis para o piloto.”

Alonso: entre nostalgia das antigas F1 e desafios modernos

Fernando Alonso na AMR25.

Para ele, esta rigidez tem os seus inconvenientes. “Digamos que não há muita liberdade em relação ao que se pode fazer no cockpit ou à quantidade de energia que se pode utilizar, o que é muito limitado pela FIA,” acrescenta. Segundo Alonso, a redução de energia deve ser feita a um certo ritmo e isso limita a capacidade de manobra dos pilotos para desplegar o seu pleno potencial.

“Portanto, há alguns pontos que estão provavelmente demasiado regulados. Em termos de liberdade ou de forma de utilizar esta energia de forma inteligente, as diferenças serão mínimas, pois não há infelizmente muita margem de manobra.”

Uma época dourada revolvida?

Quando lhe perguntam se esta regulamentação estrita pode restringir a pilotagem natural dos pilotos, Alonso responde: “Provavelmente, sim.” De facto, presente na Fórmula 1 desde 2001, o Espanhol viveu várias gerações de monolugares, nomeadamente aquelas do início dos anos 2000, onde a pilotagem parecia mais acessível e instintiva.

Nessa época, os carros e os motores eram bem diferentes, e as sensações ao volante eram mais puras. Alonso considera que a realidade atual é em parte adocicada para seduzir as novas gerações e manter o apelo em torno desta categoria rainha do desporto automóvel. “Acho que era mais interessante antes, mas é preciso ‘vender’ isso à nova geração,” desabafa ele com uma ponta de melancolia.

“Não se pode dizer que os carros sejam piores hoje em dia, mas ninguém dirá que pilotar antes era pior do que agora. Havia sem dúvida mais adrenalina com os antigos carros, um verdadeiro sentimento de pilotar à limite.”

Alonso: entre nostalgia das antigas F1 e desafios modernos

Fernando Alonso na Renault R25, monolugar com o qual conquistou o seu primeiro título de campeão do mundo em 2005.

A busca por sensações autênticas

Para Alonso, os monolugares modernos carecem de autenticidade. “Mesmo quando subimos a um kart, é provavelmente o tipo de corrida mais puro que podemos ter. É agradável pilotar carros à limite da física, e não num estilo ‘eficaz’ ou robotizado,” declara ele com paixão. Aos seus olhos, é essencial recuperar esse espírito de desafio e de imprevisibilidade que caracterizava as corridas de outrora.

“Tudo está mais ou menos organizado assim, e estou certo de que isso se encontra em muitos outros desportos, o futebol, o basquetebol, a NBA, não importa,” explica ele. Segundo ele, a evolução para uma estrutura rígida fez perder uma parte de improvisação e de adrenalina às competições. “Antes, há 20 anos, talvez um jogador conhecesse uma noite mágica e ganhasse o jogo. Hoje, tudo é mais estruturado e é preciso mecanismos precisos para realmente ter um bom desempenho num jogo de basquetebol. A inspiração pura de alguém está um pouco esquecida nesta geração.”

Uma transição necessária mas delicada

Alonso não questiona o interesse das inovações técnicas, mas defende um equilíbrio entre modernidade e autenticidade. A Fórmula 1 deve continuar a evoluir enquanto preserva o que faz a sua riqueza: a emoção da pilotagem e o frio na barriga das corridas. Os desafios que esperam os pilotos nos anos vindouros serão sem dúvida emocionantes de viver, mas é essencial ter em mente que a competição deve continuar a ser um terreno de expressão para os talentos dos pilotos.

Enquanto a F1 se compromete neste caminho repleto de obstáculos, será fascinante observar como estas mudanças influenciarão não só o espetáculo na pista, mas também a maneira como os pilotos sentem a sua profissão. A nostalgia de Alonso poderá bem ressoar em outros pilotos que viveram essa época onde cada corrida era uma aventura única.

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