Notícias

Rússia fora da lei: russos produzem BMWs “piratas” com peças antigas após saída da marca

O fantasma da BMW em solo russo

Imagine a cena: você quer um carro de luxo, mas a marca que você ama sumiu do seu país há anos. Parece um pesadelo? Na Rússia, virou realidade. Desde que a guerra na Ucrânia intensificou e as sanções apertaram, em 2022, a BMW deu adeus ao mercado russo. Mas, pasmem, em 2025, um volume estranho de “novos” modelos da marca alemã apareceu nas ruas. O motivo? Uma produção não autorizada, usando o que sobrou e um tanto de criatividade local.

Segundo a imprensa russa, SUVs como o BMW X7 estão sendo montados sem o menor pudor, utilizando um coquetel de peças antigas que restaram da antiga fábrica da Avtotor, em Kaliningrado, e componentes fornecidos por empresas locais. É a BMW à moda russa, com um toque de improviso e um cheiro de desespero.

O legado da Avtotor: de GM a Chery, agora BMW pirata

A Avtotor não é novata no jogo. Essa empresa russa já teve um cardápio de parcerias de dar inveja, montando carros para General Motors, Hyundai-Kia, as chinesas DongFeng e JMC, e até a Chery. Com a BMW, a relação oficial começou em 1998, com a produção dos Série 5 e Série 7. Com o tempo, a fábrica se tornou um centro de montagem para Série 3 e os SUVs X1, X3, X5 e X6.

Mas nem tudo foram flores. Por volta de 2015, a qualidade dos BMWs produzidos localmente começou a ser questionada, e o climão azedou de vez quando a BMW se recusou a oferecer garantia para esses carros. A relação oficial acabou em 2022, mas parece que a Avtotor não quis jogar a toalha. Ou melhor, não quis jogar as peças fora.

O X7 que não deveria existir (mas existe e é caro)

O resultado dessa história? Um X7 que parece ter saído da linha de produção em 2022, mas que está sendo vendido como zero-quilômetro em 2025 e 2026. Registrados como carros novos, eles carregam o visual de três anos atrás e a promessa de um luxo que a BMW abandonou por lá. A Radio Free Europe confirmou a história com a própria BMW, que classificou os veículos como falsificados, sem qualquer suporte ou garantia.

E o preço? Ah, o preço é um show à parte. Falamos de valores que variam entre 11,9 milhões e 14,3 milhões de rublos – algo entre R$ 802 mil e R$ 963 mil em nossa moeda. Para um carro “pirata”, é um belo drible no bolso. Mas, segundo a mídia local, mais de 145 unidades já foram vendidas. O segredo? São mais baratos que os exemplares trazidos por importação paralela.

A tecnologia “inviolável” e o futuro incerto

Uma das “vantagens” vendidas pelos produtores desses BMWs falsificados é que os softwares embarcados não serão atualizados ou reprogramados. Para o comprador, isso significa que a BMW não poderia, teoricamente, desativá-los remotamente. Uma garantia de que o seu carro pirata continuará funcionando, mesmo que sem os mimos tecnológicos mais recentes.

A produção, no entanto, tem os dias contados. A fábrica de Kaliningrado eventualmente ficará sem os componentes necessários. A menos que encontrem novos fornecedores – o que, aliás, já parece estar acontecendo –, a brincadeira vai acabar. Resta saber quanto tempo a BMW alemã vai tolerar essa situação antes de tomar medidas mais drásticas.

X5 e X6 a diesel: a ousadia russa continua

E a criatividade russa não para por aí. Já se fala na produção de outros modelos, como o X5 e o X6 na versão 40d, equipados com motores a diesel. O detalhe intrigante é que essas versões nunca foram oficialmente vendidas no mercado russo antes dos embargos. Isso sugere que a Avtotor encontrou um novo fornecedor, capaz de entregar não apenas peças de reposição, mas também componentes para novas configurações.

É um movimento ousado, que beira a provocação. A fabricante local parece estar testando os limites da BMW, e talvez do bom senso. Se a marca alemã vai reagir com força total ou se vai deixar essa “adaptação” russa seguir seu curso, ainda é uma incógnita. O que sabemos é que o mercado automotivo russo, em tempos de sanções, se tornou um verdadeiro faroeste.

O que esperar de um BMW “Made in Russia”?

A situação é um retrato claro de como a indústria automotiva global é interconectada e, ao mesmo tempo, vulnerável a crises geopolíticas. A saída de grandes montadoras abre espaço para soluções criativas, mas nem sempre legais ou seguras.

  • Produção não autorizada: SUVs como o BMW X7 estão sendo montados na Rússia sem o aval da marca alemã.
  • Peças de estoque e locais: A montagem utiliza componentes remanescentes da antiga fábrica da Avtotor e materiais fornecidos por empresas russas.
  • Sem garantia ou suporte: A BMW já se pronunciou, classificando os veículos como falsificados e sem qualquer tipo de garantia.
  • Preços elevados: Apesar de serem “piratas”, os modelos são vendidos por valores que chegam perto de R$ 1 milhão, mas ainda assim mais baratos que importações ilegais.
  • Novos modelos no horizonte: Rumores indicam que X5 e X6 a diesel, versões nunca vendidas oficialmente na Rússia, também entrarão em produção.
  • Futuro incerto: A produção depende da disponibilidade de peças, e a BMW pode tomar medidas mais drásticas contra a operação ilegal.
AutoMania Hub

Discover BMW

🏷️ BMW News, models and updates 🧰 Parts BMW Brand marketplace