O futuro das corridas de endurance está sendo redesenhado para 2030. A ACO e a FIA anunciaram uma grande reformulação no regulamento da categoria Hypercar, abandonando as distinções entre LMH e LMDh para criar uma plataforma única. A decisão visa simplificar, unificar e, potencialmente, reduzir custos, mantendo o espetáculo esportivo.
O automobilismo de endurance está em alta, mas as estratégias já estão sendo ajustadas. Enquanto a categoria rainha Hypercar, lançada em 2021, tem tido um sucesso estrondoso com a chegada de diversas montadoras, as entidades máximas, ACO e FIA, decidiram antecipar a evolução do regulamento. Inicialmente prevista para 2032, a transição para um novo quadro técnico acontecerá já na temporada de 2030. O objetivo declarado: simplificar as coisas e preparar o terreno para uma convergência técnica entre as diferentes filosofias de carros.
Uma convergência necessária para o futuro
Desde a introdução das categorias LMH (Le Mans Hypercar) e LMDh (Le Mans Daytona Hybrid), o debate sobre o equilíbrio de performance, o famoso Balance of Performance (BoP), tem sido constante. Embora o BoP tenha permitido corridas disputadas e um grid diversificado, ele também gera frustrações. Cyril Abiteboul, diretor-geral da Hyundai Motorsport (que se prepara para estrear no WEC), destacou recentemente esse ponto: “Esportivamente, pessoalmente, é verdade que preferíamos um esporte com menos discussões em torno do BoP, e mais meritocracia direta e transparente para todos.” Essa declaração, feita antes do anúncio oficial, reflete uma forte expectativa dos envolvidos no campeonato: um regulamento mais claro e uma competição menos sujeita a ajustes técnicos.
Fim das denominações LMH e LMDh, rumo à Hypercar unificada
A mudança mais significativa deste futuro regulamento é o fim das distinções entre LMH e LMDh. A partir de 2030, haverá apenas uma categoria: Hypercar. Essa unificação simplifica o cenário técnico e deve facilitar o envolvimento de novas montadoras. Duas abordagens continuarão possíveis para as equipes: projetar integralmente seu próprio carro, uma opção preferida por marcas como a Ferrari, ou basear-se em uma plataforma e chassi fornecidos por um especialista. Independentemente da abordagem, todos os carros deverão cumprir um conjunto de especificações técnicas comuns. O assoalho, o difusor e a carroceria serão estritamente definidos, apertando a janela aerodinâmica em comparação com a geração atual.
Mais potência e hibridização obrigatória na traseira
As futuras Hypercars não economizarão em performance. A potência será aumentada em 20 kW a partir de 2030, oferecendo um ganho de desempenho notável. A escolha da motorização permanece livre, abrindo potencialmente portas para tecnologias inovadoras como o hidrogênio, caso alguma montadora decida investir nisso. No entanto, uma restrição importante será imposta: todos os carros deverão ser de duas rodas motrizes e integrar um sistema híbrido no eixo traseiro. Este dispositivo poderá ser de origem comum ou desenvolvido internamente por cada montadora. O peso dos carros deverá ficar em torno de 1040 kg, um número que será ajustado pelo BoP para garantir a equidade esportiva.
Controle de custos e desenvolvimento supervisionado
A gestão de custos continua sendo uma prioridade absoluta para os organizadores. O novo regulamento visa conter os gastos das montadoras no ciclo de vida de um carro, fixado em cinco anos. O uso de “jokers” para desenvolver o desempenho será estritamente limitado a melhorias que afetem a confiabilidade e a segurança. Modificar a performance pura não será mais possível, exceto em caso de um déficit muito grande constatado pelas instâncias dirigentes, que poderão então conceder exceções. Essa medida visa evitar uma corrida armamentista desenfreada e garantir uma certa estabilidade financeira para os participantes.
O que reter da futura regulamentação Hypercar:
- Unificação: Fim das denominações LMH e LMDh, dando lugar a uma categoria Hypercar única a partir de 2030.
- Plataforma comum: Especificações técnicas padronizadas para carroceria, assoalho e difusor.
- Hibridização obrigatória: Todos os carros deverão ter um sistema híbrido no eixo traseiro.
- Potência aumentada: Ganho de 20 kW para as futuras Hypercars.
- Custos controlados: Desenvolvimento focado em confiabilidade e segurança, com “jokers” limitados.
- Flexibilidade para montadoras: Possibilidade de desenvolver o carro integralmente ou usar um chassi de fornecedor.

